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Prótese de silicone não impede a detecção do Câncer de Mama

As próteses de silicone foram idealizadas na década de 60 por Cronin, um famoso cirurgião plástico inglês. O material inerte se tornou um sucesso porque conseguiu evitar a rejeição pelo organismo, além de ter uma textura mais semelhante a uma mama normal.

Nos últimos anos tem-se notado uma alteração no padrão de beleza da mulher brasileira, que antigamente preocupava-se muito mais com suas formas voluptuosas e quadris fartos, dando pouca atenção aos seios. O gosto do brasileiro por decotes saltando aos olhos parece estar cada vez mais intenso aos moldes dos americanos, o que reforça a mama como um símbolo de feminilidade e fertilidade. Com isso a procura por cirurgias para colocação de próteses de silicone ou mais formalmente mastoplastias adicionais tem apresentado um aumento significativo.

O fato é que paralelamente a este modismo, o câncer de mama também vem aumentando consistentemente nas últimas décadas. Para se ter uma idéia a taxa de mortalidade padronizada por idade, por 100000 mulheres, aumentou de 5,77 em 1979, para 9,74 em 2000 (Ministério da Saúde, 2002). A estimativa foi de 66.280 casos novos de câncer de mama, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres (INCa). 

Frente a este panorama, é natural detectar-se uma geração natural de angústia naquelas pacientes que já se beneficiaram da cirurgia ou daquelas que almejam passar por essa mudança estética. Com isso o médico muitas vezes é indagado sobre a possibilidade de uma prótese em dificultar o diagnóstico de uma lesão mamária que possa ser um câncer.

No início de 2004 a imprensa divulgou nota referente a um estudo publicado no “Jornal da Associação Médica Americana”, o qual revela que mulheres com prótese de silicone diminuem as chances de ter um câncer de mama diagnosticado durante um exame de mamografia. O estudo contou com a participação de sete centros de registros de mamografia nos EUA e analisou mais de 1 milhão de exames de mulheres com e sem implantes. O estudo apenas comprova que o silicone diminui discretamente a sensibilidade da mamografia em visualizar alterações na mama, mas, ao mesmo tempo, conclui que não houve diferença no índice de cura de mulheres que tiveram câncer de mama com ou sem silicone. Além disso, existem formas de compensar a diminuição da sensibilidade da mamografia nestes casos.

Existem manobras específicas para a realização de mamografias em pacientes com prótese de silicone. A técnica de Ecklund permite a visualização adequada da glândula e minimiza a dificuldade de diagnóstico causada pela prótese. Em alguns casos a ressonância magnética pode auxiliar no diagnóstico, suprindo a dificuldade da mamografia. Também existe a possibilidade do exame ultra-sonográfico que permite a avaliação razoável do tecido mamário e do revestimento da prótese, podendo complementar a avaliação diagnóstica.
A Sociedade Brasileira de Mastologia aconselha a todas as mulheres que pretendem colocar silicone a consultar um Mastologista antes da cirurgia, bem como manter um acompanhamento especializado periodicamente após a cirurgia.

Enfim, a procura de saúde através do bem estar mental, físico e social como sugere a Organização Mundial de Saúde deve ser sempre perseguida. O silicone veio para ficar ou pelo menos durará até o próximo modismo e será responsável por devolver auto-estima àquelas mulheres menos favorecidas, tratando-se de soutien, é claro! Contudo é importante saber que sempre há um preço e para essas pessoas vaidosas, além do valor da cirurgia, elas precisarão, assim como qualquer mulher, estar periodicamente realizando exames médicos, porém com algumas particularidades, a fim de que o bonito não lhes saia muito caro no futuro. 

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como mastologista em Ribeirão Preto!

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